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PAISLEY
A breve história de um estilo
Paisley é uma cidade localizada na
Escócia e que ficou famosa por sua produção de xales com
interessantes desenhos de inspiração indiana. Isto já na
primeira década do século XIX. Da Índia veio a inspiração
de um desenho em, forma de gota d'água que ficou conhecido
pelo nome da cidade: Paisley. Mas certamente ela não foi
a primeira nem o único centro industrial e comercial têxtil
a utilizar este estilo.
Norwick, Edimburg, Paris e Viena também utilizavam este
estilo de desenho em suas coleções desde 1780. Na Índia
esta forma característica de gota d'água era utilizada antes
mesmo do Império Romano. Lá este tipo de desenho era conhecido
como cachemire e foi largamente utilizado no fim do século
XVII em xales decorativos. Freqüentemente ele aparecia dentro
dos florais indianos e era chamado de "Cone da Cachemira",
"Manga" ou "Pinha". Esta forma tem origem na estilização
da semente da tamareira, conhecida como a árvore da vida.
Originária da Babilônia, foi posteriormente transmitida
para a Europa Antiga e para a Índia.
Os primeiros xales modernos que possuíam este desenho, eram
fabricados exclusivamente na Cachemira, província localizada
no norte da Índia. Eles eram feitos de uma lã extremamente
fina, obtida a partir do pelo de cabras selvagem originárias
do Tibet. Uma curiosidade, enquanto na Europa os xales com
desenho de cachemire eram usados pelas mulheres mais elegantes,
na Índia somente os homens os utilizavam como agasalhos
sobre os ombros.
Segundo uma lenda local, um senhor da Cachemira, Zain-ul-'Abidin
(1420 - 1470 de nossa era), introduziu o tecimento de xales
para promover o artesanato local. O emprego de tecelões
turcos nesta nova indústria que surgia do artesanato, introduziu
uma nova técnica no tecimento dos xales. Esta técnica advinda
da tapeçaria resumia-se à introdução do entrelaçamento de
sarja, muito utilizado na tepeçaria turca e também européia.
Desta forma eles conseguiram distinguir seus produtos de
outros, originários da Índia. Nesta nova técnica os tecelões
trabalhavam em teares horizontais sem lançadeiras, ao contrário
dos usados na época. Isto permitia a inserção de fios de
trama nos de urdume apenas que formavam o desenho, dando
um aspecto de tapeçaria aos leves tecidos para xale. A fabricação
de um xale feito com esta técnica levava até três anos.
Mas no fim do século XIX, o processo produtivo foi revisto
e acelerou-se com a inclusão de mais de um tecelão na execução
de um mesmo xale.
Em Paisley, os tecelões eram uma classe poderosa e conhecida
por sua prática política. Homens altamente qualificados
e muito bem remunerados trabalhavam em ateliês junto com
tecelões. Formaram o primeiro sindicato da cidade de Paisley,
que viveu unicamente desta indústria até que em 1842, após
uma série de crises, chegou a beira da falência econômica.
Depois de 1870, o desenho de cachemire apareceu em todo
o tipo de tecido, de pijamas de seda até tapeçarias reais.
No século XX, mais precisamente na década de 20, uma empresa
americana de Nova York, estampava seda com motivos dos antigos
xales indianos, fazendo ressurgir todo um estilo. Um novo
nascimento aconteceu em meado dos anos 60. Gravatas e camisas,
vestidos, papéis de presente, chapéus e luvas eram decorados
com as flores indianas. No fim dos anos 80, este célebre
motivo ganhou uma nova aplicação na decoração de interiores,
mas desta vez com o enfoque da Inglaterra vitoriana.
Fonte Bibliográfica:
IRWIN, John. Shawls.
London: Victoria and Albert Museum, 1955.
LEVI-STRAUSS, Monique. The cashmere Shawl. New York,
Harry N. Abrams, 1988.
REILLY, Valerie. The Original Illustrated History of
the Paisley pattern.
Glasgow: Richard Drew, 1987.
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